30.12.06

Chico Buarque: o cretinismo político rotineiro

Por Reinaldo Azevedo

Chico Buarque é o principal pensador da esquerda brasileira. O que é de gargalhar e dá uma idéia da miséria a que chegou a dita-cuja. A dimensão do seu cretinismo político e da decrepitude pequeno-burguesa de seu, vá lá, pensamento pode ser percebida na Folha deste sábado. Ah, sim, ele comentou a famosa frase de Lula sobre continuar esquerdista depois dos 60, o que é o seu caso; disse discordar quase sempre de Caetano Veloso – vocês sabem: no Brasil, artista é pensador – e analisou a explosão de violência no Rio. Ou melhor: ele ignorou o fato e preferiu atacar a classe média. “O sujeito aqui corre risco de ser atropelado mesmo na faixa da segurança. Ficam falando em violência e violência, mas é violência também quem dirige um carro e avança o sinal.” Ah, sim: ele não se sente em perigo. É mesmo? E por que se sentiria? Os de sua classe estão imunes à violência aqui, no Haiti ou em Paris.

(Folha de São Paulo)

Aos 62, Chico Buarque diz que debate sobre esquerda é conversa boba e de direita


PLÍNIO FRAGA, DA SUCURSAL DO RIO

Despojado com camiseta branca e calça jeans, Chico Buarque, 62, pediu ontem respeito aos seus cabelos brancos, respeito ao seu direito de pedestre e respeito a poder discordar "quase sempre" de Caetano Veloso.

No ensaio do show "Carioca", que estréia no dia 4 no Canecão, em Botafogo, zona sul do Rio, questionado pela Folha, Chico comentou a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela tem problemas; se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque também tem problemas".

"Isso é uma bobagem. Como bobagem não precisa ser levada tão a sério. Esse assunto não rende mais não. Essa conversa é muito antiga de incendiário e bombeiro. Essa é uma conversa de direita sem dúvida. Eu não mudei porque tenho cabelos brancos. Não sei se botox é de direita ou de esquerda", disse o cantor e compositor.

Ainda se acha de esquerda, Chico? "Acho que sim", respondeu seco.

No dia seguinte ao ataque de traficantes que causou 18 mortes, deixou 23 feridos e provocou a destruição de dezenas de ônibus, carros e prédios públicos, Chico se mostrou tranqüilo. "Pessoalmente não me sinto mais inseguro, porque na verdade era de se esperar. Quando aconteceu em São Paulo, as pessoas mais atentas perguntavam quando aconteceria no Rio. Não é nenhuma surpresa para mim."

Disse que não é alarmista nem estava disposto a viver a "paranóia" da insegurança. "Todas as grandes cidades pioraram. Não sou saudosista. Não tenho saudades do Rio. Tenho boas lembranças. Não tenho saudades de mim. Tenho boas lembranças. Hoje é uma cidade mais violenta, mais deteriorada."
O compositor criticou também a violência de classe média. "O sujeito aqui corre risco de ser atropelado mesmo na faixa da segurança. Ficam falando em violência e violência, mas é violência também quem dirige um carro e avança o sinal. Outro dia estava lá andando, atravessando na faixa, o sinal aberto para mim, o cara quase me atropela. Podia ter quebrado a perna ou ter morrido. E o cara tinha um adesivo: "Basta!" Basta de violência. Violência também é isso", disse em referência à campanha de organização não-governamental liderada por grupos de classe média que pede mais segurança.

Chico elogiou o novo disco de Caetano Veloso, mas disse discordar dele "quase sempre". "Eu adoro o disco do Caetano. É interessante isso. Ele é o contrário do meu. A gente convive há 40 anos, às vezes por caminhos paralelos, às vezes por caminhos diferentes, mas é bom que seja assim. É bom que seja assim para todo mundo: para mim, para ele, para a música. Durante estes 40 anos já tentaram criar algum tipo de conflito entre nós. E não dá certo porque a gente se gosta, sou amigo dele, sou admirador dele. "Também discorda na política, Chico?" "Também. Não preciso concordar em tudo com o Caetano. Aliás, discordo quase sempre. Isso é bom. A gente discorda amigavelmente. Acho o disco muito forte, muito bom. Está procurando uma coisa que não é o que eu estou fazendo. Ele foi por um caminho, eu fui por outro. Pode ser que daqui a alguns anos eu me interesse também por outra coisa e ele... Na raiz está tudo lá. Meu disco sem dúvida é mais rebuscado harmonicamente. Foi uma preocupação que eu tive. São caminhos que o Caetano pode trilhar. Eu posso querer fazer um disco mais cru. O rock não é a minha linguagem . É muito mais dele do que minha."

Publicado na Folha de São Paulo

29.12.06

O coronel e o guarda-chuva: crônica de um país à beira do abismo...

Por Carmem Aranha

(*) Pois muito bem, caríssimos compatriotas! Aqui estamos nós, mais uma vez.

Analistas do caos e otimistas de plantão: uni-vos!!! É chegado o momento de fazermos a nossa revolução. Seja para vencer ou perder, juntemos nossas forças e agrupemos nossas armas. É agora ou nunca.
Vocês, caros leitores, devem estar se perguntando? Mas, onde será que ela está querendo chegar? Será esse mais um convite a um novo levante armado para que as classes menos favorecidas ascendam ao poder e derrotem as forças obscuras das “elites burras”?
Ou será algum membro infiltrado e disfarçado dessa própria “elite burra” tentando nos confundir a ponto de perdermos de vista os nossos próprios horizontes?
Nada disso, caríssimos leitores e compatriotas. Essa aqui é apenas uma tentativa de chamar vossa atenção para a história que lhes quero contar: A do Coronel e de seu inseparável guarda-chuva.
Pois muito bem. Vamos a ela então... Conta-se que, há tempos idos, havia um homem de média estatura e imponente figura que se trajava de negro e levava consigo, sempre que ia às ruas, seu indefectível guarda-chuva preto e de abas bem largas. Diziam que sua presença não seria a mesma sem que o adereço estivesse por perto.
Ele andava altivo e portentoso, como a mangar daqueles a quem chamavam de seus iguais. Seu ar superior fazia-o passar por homem de fino trato. E ele falava e muito, mas muito pouco dizia. As platéias eram seu forte. Ele as dominava como poucos. Diziam até que tinha carisma. Ele e seu inseparável guarda-chuva negro.
Porém, o que ninguém sabia, era o que se passava cada vez que o Coronel entrava em seus domínios. Aí, o homem elegante se transformava. A máscara caia e ele podia ser quem realmente era. Tinha como testemunha, apenas seu ele, seu inocente guarda-chuva.
Nessa hora, não havia a quem enganar. Ele, em sua mente ardilosa, tramava contra aqueles que se diziam seus discípulos. E contra todos os outros também. E sorria, cínico, pois tudo o que pregava nas ruas, agora era motivo de seu próprio deboche. “Pobres bobos”, dizia. “Eles acreditam em mim”.
Porém, um dia, ao sair de casa, imponente, com seu amigo de todas as horas, inesperadamente, viu-se formar uma grande tempestade. O tempo mudou de repente. E começou a desabar uma terrível tempestade. E os amigos de outros momentos, cuidaram de se proteger como podiam. A chuva era forte demais.
E então, o Coronel se viu só, no meio da tormenta. E, olhando para os lados, percebeu o quanto sempre estivera assim. Até o seu guarda-chuva negro resolveu abandoná-lo. O mesmo se despedaçou e voou para bem longe de seu alcance.
Ali, no meio da chuva forte, ele ficou estático e estupefato. Por essa ele não esperava. Um poder maior que o dele, o vencera facilmente.
Foi então que só lhe restou tirar as próprias vestes e seguir nu pelo caminho. Como um andarilho desiludido. Sem seus companheiros ou seu adorado guarda-chuva...
E foi-se andando sempre em frente até nunca mais ser visto.
Passou o tempo, a chuva passou. Só não passou a história do Coronel, que fora antes tão poderoso, mas que agora sequer alguém sabia o que dele fora feito.
E essa é a história que gostaria de contar-lhes, caríssimos compatriotas. Para que os senhores reflitam como eu o tenho feito, nestes tempos curiosos e instigantes de muitos coronéis que pouco sabem e muito fingem e de guarda-chuvas em que eles pouco ou nada podem confiar.

(*) Carmem Estela Nonato Aranha - é engenheira Civil, jornalista e produtora de arte.

Fonte

26.12.06

Vendo a safadeza passar...

Por José Luis Sávio Costa

Para início de conversa, não sou político nem habito os arredores do Poder corrupto do PT e sua base aliada, detestando os militares que por fraqueza de caráter são incapazes de honrar passados juramentos feitos no início da carreira militar.

Os partidos políticos brasileiros têm demonstrado ao longo de suas existências uma fraqueza congênita que se aguça em momentos de crise, quando seus supostos princípios fenecem diante do oportunismo e da desfaçatez que domina seus quadros dirigentes nos mais diversos níveis. A moldura é válida para todos os partidos políticos independentes de seus padrões ideológicos, uma mera fantasia de seus programas e resoluções políticas.

Isto é válido de forma mais patente para os partidos marxistas, que se dizendo programáticos nunca o foram.

Desde 1922 com a criação do Partido Comunista do Brasil, Seção da Internacional Comunista, berço do PCB-Partidão agora com seus militantes albergados em várias siglas partidárias, envergonhados pelo fracasso do socialismo real endeusado até a desintegração do Movimento Comunista Internacional, as esquerdas marxistas revolucionárias demonstraram, claramente, nas suas trilhas históricas os erros de suas projeções proclamadas como assentadas na ciência sobre o conhecimento e a transformação revolucionária, sobre as leis do desenvolvimento da sociedade, a natureza e o pensamento humano (Extraído do Breve Dicionário Político, Editorial Progresso, Moscou, 1980).

Erraram nas análises das conjunturas internacionais e nacionais de todas as crises que vivenciaram, tateando em busca de suas supostas projeções científicas de um devir revolucionário, sempre desmentido logo adiante por suas inescapáveis derrotas nas lutas políticas que marcaram e marcam suas trajetórias.

Sempre falharam, ou na visualização das condições objetivas que seus teóricos viam marcando o cenário internacional e nacional da conjuntura, ou falharam levados por uma visão estrábica das condições subjetivas que os incentivava para uma luta política descabida e sem retorno. Suas críticas e autocríticas são páginas de hipocrisia nas tentativas de justificar as derrotas inapeláveis que atestam estes fatos.

Escravos dos pensamentos de seus mestres sempre culpavam e culpam suas deficiências pessoais; jamais o conteúdo alienado das bases de seus auto-enganos – a letra e forma dos escritos de Marx, Engels, Lênin, Trotski, Mao, Gramsci e seus copiadores nacionais de pouco ou quase nenhum talento, a não ser como artífices de regimes totalitários que assinalam os países que adotam regimes comunistas ou que marcham alienados para um destino semelhante aos que feneceram.

Sempre tive a sensação de que o indefinível socialismo petista repousa na sua incapacidade de definir as condições objetivas da sociedade brasileira, atadas às visões das várias facções que se digladiam em seus Diretórios Nacional e Estaduais. Estas facções são escravas de origens mais populistas do que as misturas marxistas desconexas que dizem defender, imbróglio de difícil resultante para montagem de qualquer cenário coerente, mesmo que suas análises fossem só de uma das suas variantes ditas marxistas - por si só, até hoje incapazes de definir qualquer coisa –; no fim, o subjetivismo impera em soluções de compromisso sem solução definitiva, para nossa felicidade.

Estes capengas ideológicos fazem da imoralidade, da corrupção, da desinformação o palco de suas tragicomédias diárias e são acompanhados por um séqüito de parceiros sem caráter, mal intencionados, companheiros de viagem, cínicos aduladores do Poder petista.

Com Lula à frente e os Marco Aurélio Garcia, Dilma Ana Roussef e assemelhados, formam um cortejo de fazer corar tantas outras bandalheiras que empurram nosso país para um poço sem fim, com o beneplácito dos que deveriam resguardar a Constituição, mantendo a paz e a ordem.

Destino de difícil prognóstico para o nosso Brasil.

Na atualidade seus ícones são Chávez e Fidel e a estratégia e tática estão assentadas em Gramsci e caterva, adaptados ao cenário latino-americano pela ideóloga Marta Harnecker que vive em Havana desde 1974. Viúva de Manuel “Barbaroja” Piñero Losada, ex-articulador dos movimentos guerrilheiros latino-americanos, Marta Harnecker dirige em Cuba justamente um centro de estudos que orienta as organizações dedicadas à luta política na “sociedade civil organizada”, que não foge à ótica gramsciana - o Centro de Recuperación y Difusión de la Memoria Histórica del Movimiento Popular Latinoamericano.

Desde 1922 estamos vendo as esquerdas obedecendo a um blá-blá-blá vindo do exterior. E nós, o que fazemos? Vemos a safadeza passar com a anuência dos que deviam varrer do país o lulismo e seus asseclas. Até quando?

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22.12.06

"O que o Natal significa para mim" por C. S. Lewis

Resumo: Uma crítica de C.S. Lewis (autor de As Crônicas de Nárnia e A Abolição do Homem) ao excessivo viés comercial surgido em torno do Natal.


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Há três coisas que levam o nome de "Natal". A primeira é a festa religiosa. Ela é importante e obrigatória para os cristãos mas, já que não é do interesse de todos, não vou dizer mais nada sobre ela. A segunda (ela tem conexões histórias com a primeira, mas não precisamos falar disso aqui) é o feriado popular, uma ocasião para confraternização e hospitalidade. Se fosse da minha conta ter uma "opinião" sobre isso, eu diria que aprovo essa confraternização. Mas o que eu aprovo ainda mais é cada um cuidar da sua própria vida. Não vejo razão para ficar dando opiniões sobre como as pessoas devam gastar seu dinheiro e seu tempo com os amigos. É bem provável que elas queiram minha opinião tanto quanto eu quero a delas. Mas a terceira coisa a que se chama "Natal" é, infelizmente, da conta de todo mundo.

Refiro-me à chantagem comercial. A troca de presentes era apenas um pequeno ingrediente da antiga festividade inglesa. O Sr. Pickwick levou um bacalhau a Dingley Dell [1]; o arrependido Scrooge [2] encomendou um peru para seu secretário; os amantes mandavam presentes de amor; as crianças ganhavam brinquedos e frutas. Mas a idéia de que não apenas todos os amigos mas também todos os conhecidos devam dar presentes uns aos outros, ou pelo menos enviar cartões, é já bem recente e tem sido forçada sobre nós pelos lojistas. Nenhuma destas circunstâncias é, em si, uma razão para condená-la. Eu a condeno nos seguintes termos.

1. No cômputo geral, a coisa é bem mais dolorosa do que prazerosa. Basta passar a noite de Natal com uma família que tenta seguir a 'tradição' (no sentido comercial do termo) para constatar que a coisa toda é um pesadelo. Bem antes do 25 de dezembro as pessoas já estão acabadas – fisicamente acabadas pelas semanas de luta diária em lojas lotadas, mentalmente acabadas pelo esforço de lembrar todas as pessoas a serem presenteadas e se os presentes se encaixam nos gostos de cada um. Elas não estão dispostas para a confraternização; muito menos (se quisessem) para participar de um ato religioso. Pela cara delas, parece que uma longa doença tomou conta da casa.

2. Quase tudo o que acontece é involuntário. A regra moderna diz que qualquer pessoa pode forçar você a dar-lhe um presente se ela antes jogar um presente no seu colo. É quase uma chantagem. Quem nunca ouviu o lamento desesperado e injurioso do sujeito que, achando que enfim a chateação toda terminou, de repente recebe um presente inesperado da Sra. Fulana (que mal sabemos quem é) e se vê obrigado a voltar para as tenebrosas lojas para comprar-lhe um presente de volta?

3. Há coisas que são dadas de presente que nenhum mortal pensaria em comprar para si – tralhas inúteis e barulhentas que são tidas como 'novidades' porque ninguém foi tolo o bastante em adquiri-las. Será que realmente não temos utilidade melhor para os talentos humanos do que gastá-los com essas futilidades?

4. A chateação. Afinal, em meio à algazarra, ainda temos nossas compras normais e necessárias, e nessa época o trabalho em fazê-las triplica.

Dizem que essa loucura toda é necessária porque faz bem para a economia. Pois esse é mais um sintoma da condição lunática em que vive nosso país – na verdade, o mundo todo –, no qual as pessoas se persuadem mutuamente a comprar coisas. Eu realmente não sei como acabar com isso. Mas será que é meu dever comprar e receber montanhas de porcarias todo Natal só para ajudar os lojistas? Se continuar desse jeito, daqui a pouco eu vou dar dinheiro a eles por nada e contabilizar como caridade. Por nada? Bem, melhor por nada do que por insanidade.

Publicado originalmente em God in the dock -- Essays on Theology and Ethics (Deus no banco dos réus – Ensaios sobre Teologia e Ética), 1957.

[1] Samuel Pickwick é o personagem principal de Pickwick Papers, romance de Charles Dickens no qual suas aventuras são narradas. Dingley Dell é o nome de uma fazenda, um dos cenários do romance. (N. do T.)

[2] Referência ao avarento milionário Ebenezer Scrooge, personagem da obra Um Conto de Natal, de Charles Dickens. (N. do T.)

Tradução: MSM

20.12.06

Cada vez mais Belíndia!

Por Percival Puggina

Foi o economista Edmar Bacha quem criou, em 1974, o termo Belíndia para designar os abismos que separam o Brasil próspero do Brasil miserável. Aquele seria como a Bélgica, este como a Índia.

Passaram-se 32 anos. A Bélgica continua Bélgica, a Índia cresce a quase 10% ao ano e o Brasil continua patinando como correia frouxa que não sai do lugar. É verdade que desde o Plano Real contabilizam-se discretíssimos avanços nas condições de vida dos segmentos mais pobres. Essa ligeira expansão, no entanto, se dá por vias não sustentáveis. Ela depende de um crescente assistencialismo que jamais pode ser entendido como instrumento de ascensão social. Ao contrário, inoculando o vírus do paternalismo e da dependência, se converte em estagnação. É o neo-coronelismo, cuja eficácia eleitoral ficou escancarada no pleito de outubro.

Como não poderia deixar de ser, dado que do couro saem as correias, o custo desse mecanismo foi transferido para a classe média, que convive com a incessante depressão de seus indicadores de renda e qualidade de vida. Em outras palavras, quem estava no meio não vai para a Bélgica, mas se muda para a Índia. Mesmo que restrito às vicissitudes da vida privada e ao mundo da economia, onde a quantidade de empregos e a qualidade dos salários dependem de inúmeros fatores internos e externos, tal fato, por si só, já seria revelador de uma situação social tão angustiante quanto constrangedora. Todavia, ele vem se instalando com crescente intensidade no próprio setor público, nos poderes de Estado, comandando de maneira escandalosa as torneiras do Erário.

Com crescente freqüência, em algum lugar ou em alguma instância, as maiores remunerações pagas com dinheiro dos impostos garantem avanços para além da Bélgica, enquanto a imensa maioria dos servidores é jogada para a Índia dos vencimentos congelados. Criou-se uma ciranda em moto-contínuo, energizada por razões de direito: autonomia dos poderes para estabelecer seus aumentos, isonomia dos poderes para que os demais façam o mesmo, realinhamentos, direitos adquiridos, regalias das carreiras jurídicas, compensações e por aí afora. Graças a tal ciranda, detentores de poder de Estado e incontáveis categorias de servidores remuneram-se com valores que ultrapassam os cem mil euros anuais!

Acontece que remunerações desse porte, mesmo na Bélgica, correspondem a uma elite econômica. E a distorção que representam ganha contornos exponenciais quando se atenta para o fato de que cem mil euros, no Brasil, correspondem a um poder de compra três vezes maior do que cem mil euros na Bélgica, onde tudo custa três vezes mais do que aqui.

E agora vem o pior: a ciranda das autonomias e isonomias dos poderes e apadrinhados se move em absoluto desrespeito à vontade e à dignidade das condições de vida da única fonte legítima de todo poder: o povo, sem autonomia e sem isonomia, resignado e indefeso pagador de tais exorbitâncias. Fonte

* O autor é arquiteto, político, escritor e presidente da Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública.
www.puggina.org/

16.12.06

Leitores protestam contra reajuste dos parlamentares; leia e-mails

Folha Online

Desde as 20h de ontem cerca de 2.000 leitores enviaram e-mails para a Folha Online opinando sobre a decisão dos parlamentares de reajustarem os próprios salários em 90,7% a partir de fevereiro de 2007. Eles passarão a ganhar R$ 24,5 mil mensais. Leia mais comentários

A maioria esmagadora das mensagens revela indignação, revolta e também sensação de impotência do cidadão comum diante da decisão dos políticos, que é tomada como uma espécie de escárnio. O aumento vai ampliar os gastos públicos em R$ 1,6 bilhão no próximo ano.

Você vai ler a partir de agora trechos do que os brasileiros pensam a respeito do reajuste salarial:




"Este é o Brasil da falta de vergonha, do total descompromisso com com a ética. Agindo como a raposa no galinheiro, nada é suficiente para amainar o apetite pelo dinheiro público de certos políticos. Também, porque se preocuparem? Eles contam com o total despreparo do eleitor brasileiro, para continuarem sendo eleitos. Resta a nós que votamos conscientemente, pagar os aumentos absurdos de impostos e esquecer."
João Guimarães Sobrinho

"Isso é afirmação da anarquia e da legislação em causa própria, assim como faz o judiciário. Isto só ocorre no brasil, não sei até quando e o que precisará para um levante da população e das forças armadas, ou seja um basta definitivo nessa vergonheira, do ao poder tudo"
Antonio Carlos Rocha

"Por essa razão e outras, o nosso país cresce somente os medíocres índices em relação aos outros países emergentes. Coitado do nosso Brasil, enquanto tiver esta classe de políticos, continuaremos patinando na economia e na miséria."
David H. Stegmiller

"Eu não vejo porque tanto espanto. Isso é democracia num país de Primeiro Mundo com eleitores de Terceiro mundo."
José Sartori

"Que vergonha eu tenho desse homens que falam em nome da nação brasileira."
Ricardo Guido

"Simplesmente revoltante a atitude dos parlamentares, que com essa decisão, mais uma vez vilipendia, a nós brasileiros, que lutam com tantas dificuldades e injustiças. Para que servem os parlamentares se eles esquecem da grande missão que é defender os interesses do povo e se priorizam a legislar em causa própria?"
Sunao Yamashita

"O que eu gostaria de propor à sociedade é que comecemos a lutar pelos nossos direitos, vamos sair às ruas, como fizeram os cara pintadas no governo Collor, vamos nos mobilizar."
Robson Rodrigues

"Sem dúvida, tal aumento representa uma repercussão muito grande aos cofres públicos, cujos recursos são provenientes da arrecadação tributária, que por sua vez provém do suor "sagrado" da classe média e das camadas mais baixas. É uma grande falta de respeito aos contribuintes, que na maior parte vivem com salários irrisórios, em fim ,é uma grande falta de respeito à nação."
Victor Gomes Boaventura F de Lima.

"Já não mais adianta nutrirmos esperança e fé nos nossos homens públicos, no Congresso Nacional, na magistratura. Enfim, em todos os níveis dos nossos políticos. Pena a população brasileira não poder cassar mandatos e destituir falsas autoridades nomeadas."
Nelson S. Filho

"Até quando conviveremos com essas situações que presenciamos constantemente? Que Deus tenha misericórdia desses que, com desprendimento de qualquer ordem de Justiça, massacram o povo."
Hélmiton Menezes

"Hoje as várias entidades como UNE comem na mão do governo, e por este motivo os grande movimentos estudantis, tão importantes no passado, não existem mais. Seus dirigentes são meros burocratas a serviço do governo e vivem da mesada do patrão à nossas custas. Está na hora de mudar este país, chega! Todas as instituições públicas estão falidas por insuficiência de
moral, inclusive o próprio Judiciário."
Fernando César Dias Morgado

"Estou indignado com esses que se dizem lutar pelas melhorias de nosso país. Se eu fosse presidente da república, eu vetava esse aumento. O reajuste deveria ser igual ou menor do que o reajuste do salário mínimo, para tentar diminuir essa desigualdade social que é absurda. Já chega, o povo brasileiro não agüenta mais."
Anderson Nunes

"Deputados, e políticos em geral deveriam ganhar salário mínimo. Pois quem optasse por isso, estaria visando melhorar, a vida dos eleitores e não sua própria vida, assim também teriam oportunidade de viver com este salário, e verem se é digno ou não."
Jorge Rossi Alvarez

"Total incoerência com a política de distribuição de renda que os governantes pregam e vendem ser necessário a população.
Mais uma prova que o Brasil não é um país sério e mais um estímulo para que nossos filhos passem a considerar a hipótese de morar no exterior."
Luis Henrique Stedile

"Para resumir em uma palavra "é uma vergonha". Porque como todos sabemos, nossos parlamentares deveriam dar o exemplo, reajustando seus salários sempre nos mesmos índices que o do salário mínimo, pois desta forma estariam coerentes com suas próprias políticas financeiras, mantendo suas contas dentro dos princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal, a qual cobram de toda a população brasileira."
Marcos Zacaron

"Penso que nossos parlamentares deveriam pensar melhor antes de aumentar seus já elevadíssimos salários. Falam tanto em Justiça social e distribuição de rendas. Onde anda seu patriotismo e o espírito de serviço ao bem comum e cidadania? Tudo demagogia e só pensam em causa própria, na sua maioria, com raras exceções."
Sebastião Jorge Corrêa

"Um despropósito! Uma vergonha! Um desprezo total por aqueles que dizem representar!"
Luiz Bustamante

"Eles legislam em causa própria. Todos os deputados que ganharam só pensam em seus benefícios. Depois que ganham esquecem os compromissos de campanha e seguem a cartilha da grande maioria."
Syllas Sucesso de Souza

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    Parlamentares que votaram a favor de elevar os próprios salários para R$ 24.500, equiparando-o ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas três votos contrários 26 a favor do aumento de mais de 90.7%:

    PRESIDENTES DAS MESAS: Pesidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que apresentaram a proposta, 19 deputados e cinco senadores - incluindo a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), que disse que ficava com a maioria - votaram a favor de elevar os salários até o teto.

    SENADO - Votaram a favor do teto salarial: O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), o senador Demóstenes Torres (PFL-GO), o senador Tião Viana (PT-AC) e o senador Efraim Moraes (PFL-PB), primeiro-secretário da Mesa do Senado. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que a bancada do PT não tinha posição e que ela seguiria a maioria. Boa desculpa de Ideli.

    CÂMARA - Votaram a favor do teto salarial: Os líderes do PMDB, Wilson Santiago (PB), do PFL, Rodrigo Maia (RJ), do PDT, Miro Teixeira (RJ), do PTB, José Múcio Monteiro (PE), do PCdoB, Inácio Arruda, do governo, Arlindo Chinaglia (SP), da minoria, José Carlos Aleluia (BA), do PL, Luciano Castro (RR) e o vice-líder do PSDB, Bismarck Maia (CE).

    Dos integrantes da Mesa da Câmara: Votaram pelo teto o segundo vice-presidente, Ciro Nogueira (PP-PI), o primeiro secretário, Inocêncio Oliveira (PL-PE), e os suplentes Givaldo Carimbão (PSB-AL), Mário Heringer (PDT-MG) e Jorge Alberto (PMDB-SE). *Também participaram da reunião e votaram a favor do teto os deputados Sandro Mabel (PL-GO), Coubert Martins (PPS-BA), Carlos Willian (PTC-MG), Sandra Rosado (PSB-RN) e Benedito de Lira (PP-AL).

    VOTARAM CONTRA O AUMENTO: A líder do PSOL no Senado, Heloísa Helena (AL), ficou contra qualquer reajuste; O líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), defendeu um índice que fosse a média dos reajustes concedidos aos servidores públicos, o que daria 17%; O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), defendeu a reposição da inflação dos últimos quatro anos, 28,4%.

    Fonte: Blog JC

    14.12.06

    "Fariseu hipócrita"

    por Olavo de Carvalho em 14 de dezembro de 2006

    Resumo: Chega a ser comovente que um coroinha intelectual que fez carreira na ostentação de catolicismo, rotule de nazista o mesmo giro semântico utilizado por Jesus para qualificar seus discípulos relapsos de raça de víboras .

    O uso pejorativo da palavra raça para designar um grupo não racial é o inverso de um insulto racista, pois deprecia os elos raciais que o racismo, por definição, exalta. A expressão é pejorativa precisamente porque reduz a afinidade política, espiritual ou cultural entre os membros de uma comunidade a um mero parentesco biológico, como se se tratasse de um grupo de galinhas ou macacos. A intenção sarcástica se anularia automaticamente a si mesma se o falante, pensando como racista, considerasse a identidade racial um elo superior e não inferior àqueles que de fato unem o grupo. A expressão só é pejorativa porque não é racista. Qualquer pessoa que saiba ler tem de entender isso num relance, sem precisar nem pensar.

    Já expliquei isso dias atrás, mas agora notei que os detratores do senhor Jorge Bornhausen, além de lhe atribuir uma intenção racista incompatível com o sentido mesmo das suas palavras, ainda a explicam reiteradamente pela origem racial e geográfica do senador catarinense, fomentando o preconceito contra os imigrantes germânicos e contra um Estado da federação e cometendo assim eles próprios, da maneira mais inequívoca, o crime de racismo.

    Raramente a receita de Lênin - xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz - foi posta em prática de maneira tão exemplarmente literal.

    Se o senador não os processar por isso, deixando fora da cadeia esses deliqüentes, terá se rebaixado à condição de cúmplice passivo de seus próprios difamadores, além de cometer a injustiça de punir só o primeiro deles e deixar à solta a multidão de seus cúmplices, que nem têm como aquele a escusa da emoção momentânea, já que escrevem em parceria, após longas deliberações coletivas.

    Penso aqui num deles em especial, o senhor Dalmo Dallari. Escrevendo no Jornal do Brasil do dia 9, esse jurista de palanque afirma que o senhor Bornhausen, ao designar seus inimigos petistas como raça , agiu "bem ao estilo dos nazistas quando se referiam aos judeus". Mentira suja. Os nazistas jamais atacaram o povo judeu por ser uma raça, mas por não ser da raça deles. Nenhum nazista, aliás, nenhum racista de qualquer filiação, jamais depreciou a identidade de raça enquanto tal. Fazê-lo seria deixar ipso facto de ser racista.

    E chega a ser comovente que esse coroinha intelectual do untuoso demagogo Dom Paulo Evaristo Arns tendo feito carreira na ostentação de catolicismo, rotule de nazista o mesmo giro semântico utilizado por Jesus para qualificar seus discípulos relapsos de raça de víboras .

    Mas não pensem que a hipocrisia desse fariseu desprezível se contente com isso. No meu próximo artigo comentarei mais dois ou três feitos dele que igualam ou superam os do próprio marquês de Sader .

    Publicado pelo Diário do Comércio em 13/12/2006

    Fonte:
    2006 MidiaSemMascara.org

    Doadora "ganhou" da União área no porto

    JOSÉ ALBERTO BOMBIG
    DA REPORTAGEM LOCAL

    MARIANA CAMPOS
    DA AGÊNCIA FOLHA, EM SANTOS

    Deicmar opera em terreno cedido sem licitação pelo governo e foi beneficiada por MP que regulamenta portos secos. Contrato vale até 2011; associação do setor nega favorecimento à empresa, e porto de Santos afirma que ela é do setor privado

    A empresa Deicmar S/A, doadora da campanha de Lula, está instalada no porto de Santos por meio de um TPU (Termo de Permissão de Uso), instrumento que, na prática, significa uma dispensa de licitação para a concessão de áreas de exploração no terminal.

    Além disso, ela foi beneficiária da MP 320, editada pelo governo em agosto para regulamentar os portos secos (armazéns de uso público situados em zonas secundárias de portos e aeroportos e administrados pela iniciativa privada).

    A Deicmar é arrendatária de uma área de 51 mil metros quadrados da Codesp (estatal federal que administra o porto santista), cujo contrato vale até maio de 2011. A empresa também possui terrenos próprios.

    O TPU da área foi concedido no atual governo, segundo a Abtra (Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados). Esse instrumento jurídico é utilizado até que se promova uma licitação, mas pode ser prorrogado mediante aprovação das autoridades que administram o porto.

    O mesmo instrumento beneficia a empresa Santos Brasil, do empresário Daniel Dantas, que também ocupa área no porto destinada à exportação de veículos automotores.

    Conforme a atual distribuição de cargos entre os partidos que formam o governo Lula, a Codesp é hoje comandada pelo PR (fusão do PL com o Prona) do deputado federal eleito Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato em 2005 por conta do caso do mensalão.

    Fundada há mais de 60 anos, a Deicmar atua como operador logístico e portuário, armazenando e transportando cargas. No porto de Santos, sua principal atividade também é a movimentação de veículos.

    Até maio deste ano, o terminal da Deicmar era o único no complexo santista a fazer essa movimentação, com média anual em torno de 235 mil unidades. Desde então, a Santos Brasil também opera o serviço.

    Medida Provisória
    Em agosto, a Deicmar foi beneficiada pela medida provisória que eliminou a necessidade de licitação para o alfandegamento. Após a publicação, ela foi uma das primeiras empresas a receber a licença de operação para atuar como CLIA (centro logístico e industrial aduaneiro). Antes disso, estava no porto por meio de liminar.

    A Abtra, que diz ser contra a MP 320, entende que a Deicmar não foi beneficiada com a publicação da medida.

    "Ela tem alfandegamento desde 1987, não está recebendo agora", disse o diretor da associação José Roberto de Sampaio Campos.

    Com a publicação da MP 320, a discussão sobre se os portos secos prestam serviços públicos tornou-se mais intensa. "Essa é uma discussão que está gerando debates acalorados. Atividade de porto seco é atividade de serviço público? O governo, hoje, entende que não. Agora, quem tem de definir isso é a Justiça", afirmou Campos.

    O diretor de infra-estrutura e serviços da Codesp, Arnaldo de Oliveira Barreto, entende que a Deicmar não presta serviço público. "Ela é uma arrendatária de uma área da União, mas é uma empresa privada."

    A Deicmar, segundo TSE, também fez doações para as campanhas de Telma de Souza (PT), André Montoro (PSDB), Ricardo Montoro (PSDB) e Edmur Mesquita (PSDB). Os dois primeiros foram candidatos à Câmara dos Deputados. Já os dois últimos, à Assembléia.

    Deputados
    Ricardo Montoro, que, como seu irmão André, recebeu R$ 10 mil, disse que foi informado pela empresa de que ela estava habilitada para doar. Segundo ele, sua família possui relações de amizade com a Deicmar. "Minhas contas foram aprovadas pelo TRE." Telma e Edmur não foram localizados.

    A Folha entrou em contato com a Deicmar ontem, mas nenhum representante da empresa atendeu a reportagem.

    Publicada na Folha de São Paulo

    12.12.06

    Sí tenemos petroleo, pero somos locos

    *Jorge Sobesta

    O ditador venezuelano Hugo Chávez Frías escolheu o Brasil para sua primeira visita depois de mais uma reeleição (pensei que só o eleitor brasileiro fosse burro) e chegou ao estilo Ave Maria : Cheio de graça.

    Disse ser o Brasil mais importante que os Estados Unidos e ainda ousou : "Um governo que está acabando, que acabou, não é prioridade. É um governo decadente". Uê, então errou de país novamente.

    Claro, um governo decadente. Decadente porém rico, poderoso e possuidor de uma gigantesca indústria bélica. Um governo que mete o bico sem ser chamado onde quer que haja riquesa e um governante louco e que logo logo vai ouvir seu chamado de Vienes aca pois estão presisando de um novo Fidel, uma vez que o original está pela bola oito.

    Como não poderia ser de outra maneira aí está nosso sapo barbudo sendo afagado pelo venezuelano (já tinha sido encarcado pelo boliviano) travando conchavos com toda sorte de malucos em nome de um Mercosul mais furado que peneira velha. E vai assimilando ideas rocambolescas, como a do plebiscito que permitira o povo venezuelano, sob a mira de fuzís, escolher se Chávez fica para sempre no poder ou só a vida toda.

    O que Chávez parece desconhecer é que no caso dos Estado Unidos vão-se os anéis, ficam os dedos. Bush pode estar saindo, mas o american way of life permanece inalterado, conquistar e pilhar.

    Não percebe sua insignificante ameaça quando propõe a união da América do Sul contra Washington "para que eles nos respeitem". Ah! com certeza Washington treme ao ouvir o nome Venezuela.

    E o Lula lá? Tá querendo o que?
    Vai sapinho, continua com suas más companhias e verás em que Frías vai entrar.

    *Jorge autor do Sobesta Blog

    11.12.06

    "A luz no fim do túnel"

    Por Serjão *

    Eu não tenho tido muita vontade de escrever ultimamente. No fundo, a gente acaba achando que apenas está dando murro em ponta de faca. Mas uma matéria do Globo de domingo me deu um certo ânimo. Ela aborda as milícias (foto) que pouco a pouco vão substituindo os traficantes nas favelas do Rio, cobrando dos moradores uma taxa para proporcionar segurança. Os Milicianos (formados por policiais, bombeiros, seguranças privados) administram esse processo que é bom para todas as partes inclusive quem nada tem a ver como isso, ou seja, todo o restante da população. Eu não consigo abordar esse assunto sem um sorriso nos lábios. E nem só pelas conseqüências positivas na redução da criminalidade que esse processo contém. O que está acontecendo é simplesmente a privatização da segurança pública comprovando a falência do estado brasileiro em cumprir suas funções mais básicas. Aliás, os planos privados de saúde e as escolas particulares já comprovaram isso faz tempo. Portanto, senhores moradores de favelas, sejam bem vindos ao mundo real do estado ineficiente. Isso, claro, para desespero da esquerda vagabunda (com sua licença, Camarada Arcanjo) que adora tratar as favelas não como semeadouro de bandidos e sim como conseqüências do capitalismo selvagem, do racismo, da desigualdade ou da puta que os pariu. Qual será a retórica desta raça imbecil agora? Vão ter que procurar outro discurso para se dar bem ali. Não vai dar para continuar latindo que os verdadeiros criminosos moram em apartamentos de luxo na praia e que os bandidos, coitadinhos, são apenas vítimas.

    Algumas falácias estão indo para o brejo com o advento das milícias. O primeiro é o suposto poder logístico e organizacional que os chamados narcotraficantes possuiriam. As chamadas facções criminosas (Comando Vermelho, Terceiro comando), que se complementariam e auxiliariam, por enquanto estão vendo a banda passar com o rabo entre as pernas o que prova que são apenas um bando de moleques ignorantes que se amedrontam quando de um adversário mais forte. As milícias chegam, expulsam ou matam os que se opõem and the life goes on. Simples, assim. Outro mito que está indo para o espaço é a lenda que a comunidade apóia os “meninos” do movimento (sim, para quem não sabe é assim que eles se referem aos bandidos). Não há a menor diferença entre pobres e ricos no desejo de ter paz. E é paz o que está acontecendo. Ninguém quer um exemplo ruim para os filhos e a comunidade apóia a erradicação do tráfico. Mesmo os Presidentes de Associações de moradores, sempre acusados de compactuarem com o crime em troca de dinheiro, estão satisfeitos. Nesse processo, óbvio, também cai algum capilé no bolso deles e desta vez com um viés de honestidade e legalidade. É muito melhor.

    Claro que esse não é um mundo ideal e inclusive manifestei isso num post do Nemerson que abordou este assunto há quase um ano. Existem claros efeitos colaterais. É um novo estado paralelo que se forma. Mas infelizmente só estamos em condições de escolher o mal menor. O mundo ideal eu deixo para os sonhos da esquerda calhorda e hipócrita. Mas alguém pode perguntar:

    -Por que será que os Milicianos se interessam por essa atividade dentro de favelas?

    A resposta é simples. Mercado e Lucro. Os integrantes ganham mais nessa atividade do que em outras. Um belo de um mercado de trabalho. Por que aqui, como em qualquer lugar no mundo, não tem jeito. Só o lucro salva.

    * Serjão, autor do excelente Blog Serjão Comenta do Céu

    10.12.06

    TCU diz que agências lesaram Petrobras

    Tribunal identificou o pagamento indevido de R$ 2,9 mi em comissões às agências de publicidade contratadas pela estatal

    Ministros avaliam que Rede Interamericana, F/Nazca e Duda Mendonça ganharam comissão por intermediação inteiramente desnecessária

    MARTA SALOMON
    DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

    O TCU (Tribunal de Contas da União) identificou o pagamento indevido de comissão no valor de R$ 2,9 milhões às três agências que prestam serviços de publicidade à Petrobras. Foram auditados contratos celebrados nos três primeiros anos de governo Lula, período em que a estatal gastou cerca de R$ 353 milhões em campanhas.

    De acordo com relatório aprovado pelo plenário do tribunal, as agências Duda Mendonça, Rede Interamericana e F/Nazca Saatchi & Saatchi receberam 15% de comissão por serviços caracterizados como "mera intermediação desnecessária e antieconômica", em que não haveria registro de ato de criação das agências.
    O relatório afirma que o pagamento dessas comissões fere os princípios da moralidade e da eficiência e teria propiciado "enriquecimento sem causa" à custa dos cofres da estatal.

    Entre os casos listados pelo TCU, o mais grave é o pagamento de R$ 1,3 milhão à Rede Interamericana pela colocação de painéis em estádios de futebol em jogos do Brasil e da Argentina nas eliminatórias da Copa de 2006. "É razoável, econômico, moral que por tais supostos serviços a Petrobras pagar mais de R$ 1 milhão pela simples aquisição de placas em dois jogos de futebol? Tal valor não é para o aluguel do espaço e sim, apenas, pela intermediação da Rede Interamericana", destacam os auditores. Também a título de comissão, a Duda Mendonça recebeu R$ 712,5 mil por colocar placas publicitárias na Série A do Campeonato Brasileiro de 2005.

    Entre as irregularidades apontadas pelo TCU nos contratos de publicidade da Petrobras, os auditores destacam ainda a contratação sem licitação e sem justificativa de preços da ONG Siga (Sociedade de Incentivo e Apoio ao Gerenciamento Ambiental).

    "A ausência de justificativa dos preços demonstra a desídia dos gestores com o trato dos recursos públicos, vez que não foi realizada pesquisa que comprovasse a adequabilidade dos valores contratados com os praticados no mercado", disse o ministro Ubiratan Aguiar.

    O TCU anota que a ONG tem "renomada atuação no mercado" por causa da atuação em projetos de desenvolvimento ambiental. Mas isso não justificaria a contratação sem licitação para instalar um estande com área de 700 metros quadrados para a exposição de projetos sociais da estatal.

    Por causa do pagamento supostamente indevido de comissões e da contratação da ONG Siga, o TCU cobrará multas de R$ 7 mil e R$ 3 mil, respectivamente, dos executivos da área de comunicação da Petrobras, liderados pelo gerente executivo de comunicação institucional, Wilson Santarosa.

    O tribunal também determinou à Petrobras que retenha, em futuros pagamentos às agências de publicidade, o valor das comissões que teriam sido pagas indevidamente.

    A auditoria nos contratos da Petrobras faz parte da devassa iniciada em 2005 pelo TCU nos gastos de publicidade e propaganda do governo. Em relatório aprovado no mês passado, o ministro Ubiratan Aguiar propôs limitar os gastos de publicidade a campanhas de utilidade pública e de promoção de produtos das empresas estatais, proposta essa ainda sem resposta por parte do governo.

    O relatório anterior estimou prejuízo de R$ 106,2 milhões provocado por falhas de controle ou irregularidades, como superfaturamento de serviços. Foram investigados gastos de publicidade de 17 órgãos ou empresas da administração pública num período de cinco anos, entre 2000 e 2005.

    Fonte: Folha de S. Paulo

    Texto Anterior: O processo: Distribuição de investigações provocou demora
    Próximo Texto: Estatal diz que irá recorrer contra decisões

    7.12.06

    "No país do buraco negro"

    Por Demóstenes Torres

    O jornalista do The New York Times, Joe Sharkey, é um sobrevivente do maior desastre aéreo do Brasil. Ele era um dos passageiros do Legacy que colidiu com a aeronave da Gol. Sharkey foi o primeiro repórter a denunciar a pantomima das autoridades brasileiras no gerenciamento e guarda do espaço aéreo do País. A princípio feriu os nossos brios patrióticos com o tom arrogante e etnocêntrico de caucasiano da metrópole predisposto a escarnecer deste terceiro mundo canavieiro. No entanto, cada nova reportagem sobre as deficiências do sistema de controle de tráfego aéreo publicada pela mídia brasileira enche o norte-americano de razão.

    Joe Sharkey alimenta o seu blog quase que diariamente com artigos cáusticos sobre a tragédia brasileira. É nítida a missão de que se incumbiu de libertar os dois pilotos do Legacy, afinal, eles salvaram a sua vida. Sem que as investigações sejam concluídas não se pode excluir a responsabilidade de ninguém, mas os dois pilotos tiveram uma perícia extraordinária de pousar o jato da Embraer depois da colisão. Isto porque um piloto de uma aeronave de carga, que falava inglês fluente, os orientou sobre a posição na base da aeronáutica na selva amazônica, uma vez que eles não conseguiram comunicação com os controladores brasileiros.

    O jornalista considera que os pilotos estão sendo mantidos em condição análoga de reféns, quando deveriam ser tratados como heróis e mandados para casa em primeira classe, o que parece inevitável considerando-se as patuscadas do governo brasileiro. A colisão das duas aeronaves foi provocada por um conjunto de falhas humanas e de equipamentos, mas acabou como uma tragédia anunciada porque o governo não reage com altivez. Evasivas e desmentidos não resolvem a crise de confiabilidade de um serviço público que o brasileiro tinha certo que era um dos melhores do mundo, especialmente depois dos bilhões investidos no Sivam.

    Se é verdade que os radares não funcionam, que aeronaves desaparecem em pontos negros e que faltam controladores de vôo é forçoso admitir que voar no Brasil é quase que um pedido para morrer. O espaço aéreo brasileiro se equivale às estradas precárias do País e o governo faz o quê? Nega as evidências do apagão aéreo e promete que tudo vai melhorar com uma operação tapa-buracos ainda antes das férias de verão. Como qualificou Sharkey, o ministro da Defesa, Wonderfull Waldir, vive com a cabeça em outra órbita: ora diz que não foi informado de determinado problema ora simplesmente nega que haja buraco negro, radar obsoleto ou contingenciamento de recursos. Como disse o José Simão a única coisa que voa no Brasil é o ministro da Defesa.

    O problema, ministro, é que neste céu de brigadeiro nem avião de carreira se vê mais. E que desrespeito com as famílias dos mortos no acidente do vôo 1907! A Aeronáutica, a Infraero e a Anac sabiam que não havia sobreviventes, mas esperou 48 horas para dar a notícia. Então é função do Estado criar expectativas para que a desgraça seja menos indolor? Escrevi neste blog que os atrasos seriam assimilados pelo brasileiro e se tornariam coisa normal. É o que aconteceu, para o espanto de um holandês que suportou uma demora de três para conseguir uma conexão no Aeroporto de Congonhas. O que mais intrigou o cidadão acostumado ao hermetismo europeu foi a ola que os passageiros faziam a cada vôo confirmado na caótica sala de embarque. Um prato e tanto para reforçar os argumentos de Joe Sharkey.


    Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (PFL-GO)
    Artigo publicado no Blog do Noblat

    6.12.06

    Parecer do TSE rejeita contas de campanha de Lula

    TÉCNICOS QUESTIONAM DOAÇÕES DE EMPRESAS QUE PRESTAM SERVIÇOS AO GOVERNO. GASTOS NÃO IDENTIFICADOS TAMBÉM SÃO ALVO DE SUSPEITAS

    BRASÍLIA - Parecer técnico do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) recomenda a rejeição das contas da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer -elaborado por 23 técnicos e analistas da Secretaria de Controle Interno- foi entregue anteontem ao ministro Gerardo Grossi, relator do caso. Os técnicos do TSE também recomendaram a rejeição das contas do comitê financeiro nacional do PT. Em nota, o PT informou que vai corrigir a prestação das contas de Lula. O parecer dos técnicos do TSE aponta para três problemas principais na prestação de contas: primeiro, irregularidades na descrição de R$ 9,87 milhões em doações - coincidentemente, o mesmo valor do déficit das contas de campanha do presidente Lula. Na prestação de contas apresentada, esses R$ 9,87 milhões se referem a recibos eleitorais de uma "novação" de despesas do PT. A "novação" é uma forma de quitação de um débito, em que se substitui uma pendência antiga por uma dívida nova. Continua aqui

    4.12.06

    Varreram a moral para baixo do tapete

    por Percival Puggina

    Resumo: Os valores morais, no Brasil, foram varridos para baixo do tapete. O que antes era feito às escondidas, envergonhadamente, objeto de reprovação geral, foi levado para a mesa de centro, pendurado nas paredes, sob o ensurdecedor aplauso das urnas.


    Nos meses que antecederam o pleito de outubro, inúmeros leitores me escreveram suscitando o tema do impeachment presidencial. A todos respondi com uma carta padrão na qual expunha dois argumentos contrários à medida. Em primeiro lugar, ela era inócua porque um Congresso que não concedia metade mais um de seus votos para cassar deputados mensaleiros jamais daria dois terços para a instauração de um processo dessa natureza contra o presidente. Em segundo lugar, ela era inoportuna porque, às vésperas de um pleito que obviamente seria vencido pelo presidente-candidato, recairia sobre quem apoiasse tal providência a mácula do golpismo. O povo que decidisse. E o povo decidiu como era previsto.

    Ian Fleming, através de quatro décadas, vem conquistando enormes platéias para a série de livros e filmes cujo personagem central é James Bond, o mundialmente famoso e cheio de truques 007, agente do serviço secreto britânico que tem licença para matar. Pois o eleitorado brasileiro, na última eleição, concedeu diversas licenças para delinqüir, por ação ou omissão, no exercício do poder político. Aliás, o povo expediu a licença, o Congresso Nacional se ajoelha reverente, e nas vias do Judiciário acontecerá o que de hábito ocorre nesses casos, ou seja, coisa alguma. O laboratório de artimanhas onde se abastece Mr. Bond antes de cada aventura é substituído, no Brasil, por inesgotáveis ardis publicitários e mágicas jurídicas e retóricas. Os primeiros saem da cartola daquele amante da verdade que é o Sr. Duda Mendonça. As segundas saem da cachola do Dr. Márcio Thomas Bastos.

    Lula comporá, por arrendamento do governo, da administração e de parcela gorda do orçamento federal, a mais avassaladora maioria parlamentar que já se formou no Congresso Nacional. Ela será, inclusive, desproporcional ao resultado das urnas que lhe concederam o segundo mandato, nas quais 39% dos eleitores optaram por seu opositor. Apesar disso, a oposição talvez não consiga somar 20% do plenário da Câmara dos Deputados. Maioria tão avassaladora, combinada com apetite voraz pelo poder cria uma cena atemorizante.

    A democracia não é nem pode ser isso. Por definição, ela pressupõe a adesão a um determinado conjunto de princípios e valores e a participação honesta dos agentes políticos. Não há democracia onde o crime e a corrupção assumem o comando. O processo (eleições, partidos, etc.) no qual ela se desenvolve constitui apenas sua dimensão formal. Sua substância está na adesão aos valores porque são eles que vão inspirar a ação dos agentes políticos. E os valores morais, no Brasil, foram varridos para baixo do tapete. O que antes havia por ali, feito às escondidas, envergonhadamente, objeto de reprovação geral, foi levado para a mesa de centro, pendurado nas paredes, sob o ensurdecedor aplauso das urnas.

    O autor é arquiteto, político, escritor e presidente da Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública. puggina.org

    Fonte: Mídia sem Máscara

    3.12.06

    Estrela é apagada do Alvorada

    Canteiro em forma de mapa do Brasil assume lugar do símbolo do PT no jardim do palácio, dá tom republicano à residência oficial e afasta partidarismo que provocou pesadas críticas da oposição

    Ugo Braga
    Da equipe do Correio

    Ronaldo de Oliveira/CB - 14/4/04
    Em abril de 2004, a estrela vermelha era destaque no jardim…

    Ronaldo de Oliveira/CB - 1/12/06
    …agora, um mapa do Brasil chama a atenção dos visitantes

    O jardim tombado do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, entrou no clima de coalizão do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O canteiro de sálvias vermelhas em forma de estrela, encomendado pela primeira-dama Marisa Letícia e revelado ao país em abril de 2004, foi abandonado à própria sorte. Sem os devidos cuidados, morreu de inanição. Agora, floresce no mesmo local, alguns metros distante do primeiro, um canteiro em forma de mapa do Brasil.

    Se o anterior foi considerado pela oposição uma espécie de emblema do aparelhamento do Estado promovido pelo partido do presidente — o PT, cujo símbolo é uma estrela vermelha —, o novo canteiro seria pluripartidário, republicano. Contudo, não é recente. Informações de funcionários da Novacap encarregados da manutenção do jardim reportam que tanto a estrela quanto o mapa nasceram na mesma época. Só que apenas um deles recebeu atenção, justamente pelo simbolismo.

    Críticas

    Tantas foram as críticas, na ocasião, que o casal presidencial determinou que se parasse de regar as sálvias. Elas murcharam e morreram. Mas o mapa seguiu bem tratado. Hoje, é o único canteiro “monumental” cultivado nos arredores da piscina do Alvorada. Tem dimensões semelhantes ao da estrela, cujos quatro metros de diâmetro o destacavam facilmente numa vista aérea do local.

    A antiga discussão sobre as flores do jardim presidencial parece ter provocado grande sensibilidade a respeito no Palácio do Planalto. Ontem à tarde, a reportagem buscou informações oficiais sobre o sumiço do canteiro de estrelas e o florescimento do mapa, mas a assessoria do presidente Lula informou que só teria condições de prestar esclarecimentos na segunda-feira.

    Tombamento

    Além de intenso debate político, o plantio de flores vermelhas num canteiro em formato de estrela no jardim do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto gerou controvérsia entre técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Brasília é, desde 1987, tombada pela Unesco, eleita patrimônio cultural da humanidade. Por isso, seus prédios e monumentos são protegidos, regidos por normas de preservação.

    Os 38 hectares do jardim do Palácio da Alvorada estão dentro da área de preservação e, portanto, qualquer intervenção demanda autorização do Iphan. Na época da estrela vermelha, os arquitetos da autarquia dividiram-se. Uns desdenhavam do assunto, dizendo que um canteiro de poucos metros quadrados não descaracterizava uma área tão grande. Outros evocavam o tombamento e acusavam os inquilinos do palácio de o terem desrespeitado.

    O jardim do Alvorada é a realização de um projeto doado ao então presidente Juscelino Kubitscheck pelo imperador Hiroito, do Japão, no fim da década de 50. Desde o tombamento da cidade, sua preservação está a cargo do Governo do Distrito Federal, que põe a disposição da administração do palácio uma equipe de jardineiros treinados especialmente para o lugar.

    Editor: Oswaldo Buarim Jr. // oswaldo.buarim@correioweb.com.br
    Subeditores: André Garcia, Eumano Silva, José Carlos Vieira e Leonardo Cavalcanti
    Coordenador: Carlos Alberto Jr. e Riomar Trindade
    e-mail: politica@correioweb.com.br
    Tels.3214-1104/ 1186/ 1293

    1.12.06

    Dirceu na imprensa burguesa em busca da anistia

    Reinaldo Azevedo

    "Por Malu Delgado na
    Folha desta sexta: “Um ano após ter o mandato cassado, impossibilitado de se candidatar a qualquer cargo eletivo até 2015, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de Oliveira e Silva, 60, afirma, em entrevista à Folha, que sua vida profissional, pessoal e política está ‘organizada e serena’. A obsessão de Dirceu é recuperar a elegibilidade. Ele alega não ter condições de responder qual cargo disputaria caso consiga a anistia. Apenas nega pretensões de disputar a Presidência da República. Dirceu sinaliza que vai trabalhar para que seu pedido de anistia (uma emenda constitucional) seja encaminhado ao Congresso em 2007, por iniciativa da sociedade, como prevê a Constituição. No escritório de sua consultoria, em São Paulo, onde falou por quase duas horas, Dirceu ostenta na parede fotografias ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recordações do tempo em que era o homem forte da República. Ele admite manter contato com o presidente, mas não freqüentes. Diz que trabalhou dia e noite para reelegê-lo -"tenho relações"-, e fez o mesmo para ajudar José Genoino e Antonio Palocci a reconquistarem cadeiras na Câmara. Ácido em relação à política econômica, diz que ‘a diretoria do Banco Central’ é altamente conservadora. Ele defendeu a redução do superávit para que os investimentos públicos cheguem a 3% do PIB. Leia a seguir trechos da entrevista.
    FOLHA - O sr. está mesmo decidido a trabalhar pela anistia já em 2007?
    JOSÉ DIRCEU - Veja bem: meu principal foco agora é me defender no Supremo Tribunal Federal e provar a minha inocência. Eu quero ser processado e julgado o mais rápido possível. Sou contra que haja prescrição, impunidade. Eu não tenho medo, não temo a Justiça. Não vejo na denúncia do Procurador Geral da República, por mais que eu leia e releia, como eu possa ser condenado sem provas. Não pratiquei nenhum dos crimes que me foram atribuídos. A anistia é uma questão da Câmara e daqueles que estão dispostos a iniciar esse movimento e a sustentá-lo. No momento adequado. O correto seria fazer já no ano que vem, ainda que o ideal fosse fazê-lo depois que o Supremo tomasse uma decisão.
    (...)
    FOLHA - Do que o sr. sentiu mais falta fora de Brasília?
    DIRCEU -
    De Brasília. Eu gosto da cidade. Não [sinto falta] do governo. Tenho noção que do governo você participa num período determinado.
    (...)
    FOLHA - O PIB no terceiro trimestre foi de 0,5%. Deve fechar o ano em menos de 3%. Ainda assim o sr. acredita em crescimento de 5%?
    DIRCEU -
    Claro que dá. O Brasil está modernizando suas ferrovias quase que de maneira silenciosa. E não pode resolver problemas de portos? O que precisa é decisão política, vontade política, e de quebrar a burocracia e os entraves.
    (...)
    FOLHA - E o slogan antiprivatizações adotado por Lula?
    DIRCEU -
    E com razão, contra a idéia de privatizar Petrobras, BB e Caixa Econômica. O Brasil é um dos únicos países da América Latina que tem os fundos de pensões, tem o FAT, tem os bancos públicos de fomento e desenvolvimento. O BNDES tem um programa maior que o Banco Mundial. Como é que você vai [privatizar]?
    FOLHA - A campanha antiprivatização então é restrita? O resto pode [privatizar]?
    DIRCEU - Pode e deve.
    (...)
    FOLHA - O sr. diz que não faz lobby. Mas tem informações privilegiadas.
    DIRCEU -
    Eu não fui ministro da Fazenda nem presidente do Banco Central, não sou presidente de banco. Eu faço o que todo mundo faz. Dou palestras, traço cenários. O presidente Fernando Henrique Cardoso pode e eu não? Eu obedeci ao que a lei manda. Faz um ano e meio que eu saí do governo. Não tenho nenhuma relação com o governo. Eu trabalho 12, 14 horas por dia. Eu leio tudo o que está acontecendo. Assinante lê mais aqui