7.1.09

REFÉNS MORAIS E INTELECTUAIS DO TERRORISMO

Por Reinaldo Azevedo
É o fim da picada me perguntarem se justifico ataques que matam crianças. E a pergunta nem sempre parte das tropas de Emir Sader, aquele que publica comentários defendendo a expropriação de bens de judeus residentes no Brasil e que sugerem que eles são o mal essencial e ancestral do mundo. Há até indagações de quem, na intenção ao menos, está de boa fé. O fato é que vivemos sob o signo do terror. Já escrevi neste blog que o terrorismo é, na política, o que é o demônio nas religiões: manifestação do mal absoluto, “porque turva nossa capacidade de discernimento, nossa razão”. Não! Eu não justifico o injustificável. Prefiro indagar o que fazem crianças em áreas e prédios sujeitos a ataques porque tomados pelos terroristas.Publiquei, nesta madrugada, um post que mostra uma escola da ONU servindo de base para o lançamento de morteiros. O filme está aqui. Foi feito há algum tempo — não é de ontem, dia dos bombardeios. O que se tem ali é a prática corriqueira do Hamas: usar escolas e prédios públicos como base de ataque. Isso é um fato, não uma questão de gosto ou de juízo de valor. Escrevi anteontem que a carne das crianças palestinas é a mais barata do Oriente Médio. E quem a expõe no mercado do terror é o Hamas. Porque o terrorismo seqüestra o entendimento, os jornalistas são levados a perguntar, como fizeram, a Shimon Peres, presidente de Israel, por que não há crianças mortas em Israel. Sua resposta não poderia ser mais clara e correta: “Porque nós protegemos nossas crianças”. Fato! Mas certamente o óbvio será tomado como manifestação de frieza e cinismo.Pensemos um pouco: qual é a ÚNICA peça publicitária do Hamas? Seu direito de jogar foguetes em Israel? Não! Sua única peça publicitária são os corpos das crianças, estrategicamente plantadas para morrer —porque a morte, para esses celerados, é parte do jogo político. O “martírio”, como querem, é libertador. Cada infante morto vale como um esforço para a glória do que entendem ser a vontade de Alá. E NOTEM: SE AS FOTOS FOREM REPRESENTATIVAS DO CONJUNTO, MORREM MUITO MAIS MENINAS. POR ALGUMA RAZÃO, OS GAROTOS PARECEM ESTAR MAIS PROTEGIDOS. A CARNE DAS GAROTAS É AINDA MAIS BARATA. Acho impressionante que não se tenha investigado ainda esse estranho fenômeno. O que se passa?- as meninas sugerem maior fragilidade diante do monstro israelense que se tenta criar?;- os meninos são guardados para servir de soldados da causa?;- tudo não passa só de coincidência?As mortes das crianças e do que chamam “civis” — e não custa lembrar que o Hamas tem um braço militar e outro civil, e ambos servem ao terror — alimentam a fantasia de que a reação israelense na Faixa de Gaza se dá às cegas: Israel vai lá é dispara, sem nem saber o que está fazendo. É uma tolice, uma estupidez negada pelos próprios fatos. Fosse assim, em vez dos 600 mortos até agora, eles se contariam aos muitos milhares. A verdade é bem outra: os alvos são cuidadosamente selecionados. E o Hamas, também cuidadosamente, planta a carne barata das MENINAS, que depois será exibida como um troféu.Ontem, sob o estímulo de um leitor, alguns internautas responderam à indagação se seria justo o bombardeio indiscriminado de uma favela porque nela se escondem traficantes. Preferi me manter longe da questão porque ela é essencialmente improcedente.1 – o ataque a Gaza não é indiscriminado; isso é uma farsa alimentada pelo terror;2 – os traficantes ainda não usam foguetes contra a polícia — no dia em que (e se) o fizerem, certamente haverá mais inocentes mortos do que há hoje em dia — daí que tudo deva ser feito para impedir que tenham acesso a armamento pesado;3 – o único paralelo possível é outro, mas certamente não do agrado dos politicamente corretos: muitos ditos “inocentes” mortos nos morros são soldados do narcotráfico apresentados como pobres vítimas da violência policial. E parte da imprensa ama os traficantes, assim como ama o Hamas...Ou bem se entende que o terror rompe com a lógica da política e com a racionalidade, ou, então, haveremos de nos submeter às suas exigências e chantagens. Israel não pode ser, e não será, refém da tática homicida do Hamas de usar civis como escudo. Porque conhece a prática e a pauta do grupo. Sabe, inclusive, o peso e o custo de uma concessão. Israel desocupou totalmente a Faixa de Gaza — pondo fim aos últimos assntamentos — em setembro de 2005. Naquele ano, o Hamas disparou 179 foguetes contra o país. Em 2006, já sem a presença israelense, eles saltaram para 946. Caíram um pouco em 2007: 896. E chegaram a 1.386 no ano passado — e olhem que houve aí um período de trégua. “Mas cadê os cadáveres judeus?”, indagam indignados os soldados involuntários do terror. Por mais que a militância anti-Israel ou anti-semita se indigne, a verdade é que o país é mais especialista em autodefesa do que em ataque. O fato de os israelenses não se deixarem morrer não quer dizer que o terror palestino, como evidencia os números, não tente matá-los. Impedi-los de se tornar eficientes em tal prática é um dever moral.Curioso e moralmente escandaloso é que haja um esgar de censura a Israel porque sabe se defender, mas não ao Hamas, que lançou 3.228 foguetes contra o país em três anos. Curioso e moralmente escandaloso é saber que muitas consciências se sentiriam mais pacificadas se houvesse um equilíbrio no número de mortos, o que lhes indicaria, então, tratar-se de uma guerra equilibrada... Lastimam menos a carne barata das meninas palestinas do que a falta da carne judia no mercado do horror.Eis a evidência da vitória, ao menos parcial, do terror.